04 dezembro 2010

In memoriam Chateaubriand


François René de Chateaubriand em 1809, por Girodet. Museu de Saint-Malo.
A 4 de Setembro de 1768 nascia Chateaubriand, em França. Escritor, ensaísta, diplomata, político e um dos nomes maiores da literatura romântica, influência decisiva para toda a Europa pela sua obra memorável. Comemoramos o seu nascimento e deixamos aqui, no original, um dos seus poemas.

Souvenir du pays de France

Romance.

Combien j'ai douce souvenance
Du joli lieu de ma naissance !
Ma soeur, qu'ils étaient beaux les jours
De France !
O mon pays, sois mes amours
Toujours !

Te souvient-il que notre mère,
Au foyer de notre chaumière,
Nous pressait sur son coeur joyeux,
Ma chère ?
Et nous baisions ses blancs cheveux
Tous deux.

Ma soeur, te souvient-il encore
Du château que baignait la Dore ;
Et de cette tant vieille tour
Du Maure,
Où l'airain sonnait le retour
Du jour ?

Te souvient-il du lac tranquille
Qu'effleurait l'hirondelle agile,
Du vent qui courbait le roseau
Mobile,
Et du soleil couchant sur l'eau,
Si beau ?

Oh ! qui me rendra mon Hélène,
Et ma montagne et le grand chêne ?
Leur souvenir fait tous les jours
Ma peine :
Mon pays sera mes amours
Toujours !

O concerto

Deixo-vos aqui uma excelente sugestão cinematográfica, que já me seduziu, ainda que só com o trailer. É mais uma pérola do bom cinema francês, opinião minha, que faço questão de ir ver.




Na época de Brejnev, Andreï Filipov era o maior maestro da União Soviética e dirigia a célebre Orquestra de Bolshoï. Mas após ter recusado separar-se dos seus músicos judaicos, entre os quais o seu melhor amigo Sacha, foi afastado em plena glória. Trinta anos mais tarde, ele trabalha todos os dias no Teatro de Bolchoï mas… como empregado de limpeza. Uma noite, quando Andreï fica a tratar das limpezas até tarde, dá de caras com um fax endereçado à direcção do Teatro – um convite do Teatro de Châtelet para que a Orquestra de Bolshoï vá tocar a Paris. Subitamente, Andreï tem uma ideia louca: porque não reunir os seus antigos companheiros, que hoje em dia vivem de pequenos trabalhos e dirigi-los em Paris, fazendo-os passar pela orquestra de Bolchoï? É a oportunidade tão aguardada de, finalmente, se vingarem…

03 dezembro 2010

Outono dos Livros:

Feira de edições na BNP

Segue o link .

Notícia que não podíamos deixar de anunciar também aqui no blogue. Em tempos de crise, nada melhor do que estas feiras do livro, onde se encontram sempre preciosidades a baixíssimos preços. É de se aproveitar!

Prólogo





Cumpre, em jeito de Prólogo, justicar o título deste blogue, bem como o endereço que lhe demos, em data de lançamento de mais uma empresa
bloguística, permita-se-nos a expressão.

Inauguramos hoje, o caríssimo Dantas e eu, este blogue ao qual, por mútuo acordo, chamámos de
Ex libris, expressão latina cujo significado é justamente dos livros. Ex libris é portanto, e gramaticalmente falando, um complemento circunstancial de origem, sendo que indica a propriedade deste ou daquele livro em relação ao seu dono.
Este blogue, cujo título é o citado, pretende ser um espaço de discussão literária, na sua essência, esmiuçando, criticando, descrevendo, explorando e interpretando enfim obras que tenhamos lido,ou estejamos a ler e que, desta forma, queiramos partilhar com os nossos leitores. Não nos vamos ater, contudo, apenas a essas tarefas, pretendendo também aqui falar de outros temas que encontram ligação profunda entre si: eventos ligados à cultura; exposições; feiras do livro, ou ditas, festas do livro;arte; filosofia;religião; música; cinema e porque não política e ciências.

Quanto ao endereço do blogue, certamente será familiar a alguns leitores. Acreditamos que o o nome escolhido não poderia ser melhor. Todavia para que não restem dúvidas, explicitemos de que trata o
Bom Senso e Bom Gosto:

Constitui um dos documentos mais importantes da polémica literária que ficou conhecida como a Questão Coimbrã ou mesmo a Questão do Bom Senso e Bom Gosto, tendo surgido como resposta à carta-posfácio de António Feliciano de Castilho inserta no Poema da Mocidade, de Pinheiro Chagas, de Outubro de 1865, na qual o autor de Cartas de Eco a Narciso aludia ironicamente às teorias filosóficas e poéticas expostas nos prefácios a Visão dos Tempos e Tempestades SonorasOdes Modernas, de Antero de Quental (de Julho de 1865). Sentindo-se visado, Antero de Quental responde em Novembro com o panfleto Bom Senso e Bom Gosto. Carta ao Exmo. Sr. António Feliciano de Castilho, onde qualifica o juízo de Castilho como uma crítica "à independência irreverente de escritores que entendem fazer por si o seu caminho, sem pedirem licença aos mestres, mas consultando só o seu trabalho e a sua consciência", que cometem "essa falta de querer caminhar por si, de dizer e não de repetir, de inventar e não de copiar". Antero define "a bela, a imensa missão do escritor" como "um sacerdócio, um ofício público e religioso de guarda incorruptível das ideias, dos sentimentos, dos costumes, das obras e das palavras", que exige, por um lado, uma alta posição ética, por outro lado, uma total independência de pensamento e de carácter. Como consequência, e numa clara alusão a Castilho, Antero repudia a poesia que cultiva a "palavra" em vez da "ideia"; a poesia decorativa dos "enfeitadores das ninharias luzidias"; a poesia conservadora dos que "preferem imitar a inventar; e a imitar preferem ainda traduzir"; em suma, a poesia que "soa bem, mas não ensina nem eleva". O autor das Odes Modernas preconiza ainda que a literatura portuguesa acompanhe "o pensamento moderno", "as tendências das ciências", "os resultados de trinta anos de crítica", "a nova escola histórica", "a renovação filosófica".

Feitas as apresentações, cabe dar início aos trabalhos. Por meu lado não posso assumir o compromisso de que postarei aqui todos os dias religiosamente. O mesmo, por certo, dirá o caro Dantas. Todavia uma coisa garantimos: o que aqui se colocar, e perdoe-se-nos a imodéstia, terá qualidade e valerá a pena ser lido.


Dominus Illuminatio Mea